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Nasceu em Lisboa a 4 de Outubro de 1974. A sua paixão pela música fez-se sentir desde pequena, sem nunca ter, apesar disso, aspirado a ser artista. Não obstante, o mundo do espectáculo acaba por conquistá-la ainda na faculdade, no 5º ano de Veterinária. Por um mero acaso, Mafalda Arnauth descobre-se subitamente transportada para o mundo dos palcos, dos ensaios e das casas de fado, onde se deixa crescer artisticamente com as palmas, a apreciação do público e a auto-descoberta através do canto.

A voz única de Mafalda Arnauth – e a sua forma também única de estar no fado – não poderia, por isso, deixar de cativar e seduzir, desde cedo, o universo discográfico. A oportunidade para o primeiro álbum surge com a

editora EMI*. “Mafalda Arnauth”, o disco de estreia, em 1999, surge já recheado de composições suas, graças ao estímulo do produtor, João Gil.

 
Em Março de 2001, Mafalda Arnauth volta a dar cartas e edita o seu segundo trabalho discográfico, “Esta Voz Que Me Atravessa”. Editado simultaneamente em Portugal e na Holanda pela EMI, o disco conta com a produção de Amélia Muge e José Martins, que dirigem Ricardo Rocha na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes na viola e Paulo Paz no
contrabaixo.
 

O ano de 2002 é vivido intensamente, com uma série de concertos quase “sem tréguas”, fruto natural da projecção crescente da cantora e da receptividade por parte do público ao género do fado. Um pouco por toda

a parte, multiplicam-se os colóquios, as conferências, o surgimento de novos valores… e é por esta altura que um novo álbum de Mafalda Arnauth toma forma.

 
Assumindo a produção do seu terceiro disco, “Encantamento”, a artista abandona quase por completo a fatalidade, a desgraça e a sombra normalmente associadas ao fado.A tristeza serve-lhe de alimento para a esperança; os sofrimentos, de inspiração; as dificuldades, de força e alento.

2003 será, por isso mesmo, um inesquecível ano de graça. Mafalda Arnauth abraça a satisfação de quem alcançou uma paz de espírito, só possível quando se consegue o que se procura. O ano de 2004 marca o início da viragem na carreira de Mafalda Arnauth. Mais que um acto de desencanto ou desagrado, a sua saída da editora EMI é consequência de um passo, consciente e necessário. Não obstante, o passado partilhado, o presente prolífero e o futuro que se previu, desde cedo, de colaboração e respeito, faz nascer em Junho de 2005 o lançamento de “Talvez se Chame Saudade”, “o melhor de Mafalda Arnauth”.

 
Para Outubro de 2005, Mafalda Arnauth preparou, o seu novo álbum de originais: um disco que abrangia todas as inspirações da sua vida, composto pelas influências dos relacionamentos (de amizade, amorosos, felizes, tristes, separações, desilusões); o encontro com pessoas que de alguma forma a marcaram; as referências artísticas (Amália, Bethânia, Aznavour, Piazzola…); o seu percurso pessoal; as parcerias; e a sua filosofia de vida, atitude e visão, opções, duvidas e inquietações…
 
“Flor de Fado” disco é gravado no primeiro trimestre de 2008, e a vontade clara de privilegiar a sonoridade da guitarra clássica neste disco realça em especial as colaborações de Luís Pontes, com temas da sua autoria, arranjos para os mesmos e outros e um envolvimento claro na edição e mistura final do mesmo álbum e Ramon Maschio, igualmente compositor e arranjador dedicado de grande parte dos temas do disco. A este núcleo responsável pelo germinar deste projecto junta-se Fernando Júdice, no baixo acústico, acrescentando não só a sua vasta experiência enquanto músico e produtor de tantos outros projectos, bem como uma visão crucial de quem arrisca, no fado e neste projecto particular, novos horizontes com a generosidade tanto de descobrir como de acrescentar. O estúdio “Pé de Vento” e o seu guardião, o técnico Fernando Nunes, tornam-se determinantes para o bom sucesso deste disco, que consegue ser construído sobre um clima imenso de satisfação, amizade e entrega e grande profissionalismo.